‘Microcefalia não é gravidez de risco’, diz superintendente de maternidade

Maternidade Nossa Senhora de Lourdes  (Foto: Tássio Andrade/G1)

A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, localizada em Aracaju, registrou 54 casos de microcefalia de agosto até o momento.  O superintendente da maternidade, Luís Eduardo Prado Correia, esclarece detalhes da doença que fez o Estado decretar situação de emergência.

“Nós já tínhamos casos de microcefalia aqui na maternidade relacionados a outras causas, como por exemplo, a mãe que teve toxoplasmose , rubéola, casamento entre parentes de 1ª grau , uso de drogas e alterações genéticas. A nossa estatística era de dois casos no mês. Desde de Agosto, esse número começou a subir expressivamente, foi de dois para dez casos. No mês de novembro registramos 20 casos. De repente tivemos que montar uma estratégia de emergência para acolher essas crianças”, afirma Luís Eduardo.

Luís Eduardo Prado Correia, superintendente da maternidade (Foto: Tássio Andrade/G1)Segundo o superintendente, não existe um tratamento específico para o recém-nascido que é portador de microcefalia. “Do ponto de vista obstétrico, quando a criança nasce com microcefalia não existe muita coisa a fazer. Só podemos conceder uma boa assistência a mãe na hora do parto e fazer um protocolo de atendimento para realizar o acompanhamento desse recém-nascido após o parto. Até o momento, a maternidade Nossa Senhora de Lourdes registrou 54 casos”.

Luís Eduardo afirma que a mãe com gestação de um feto microcéfalo não corre risco de gravidez.  “A microcefalia não torna a gravidez de risco. Esse bebê pode nascer em qualquer maternidade da capital ou do interior. Qualquer uma das nove que nós temos em Sergipe e depois ele vai ser encaminhado para um ambulatório especializado. Quando nasce aqui na maternidade, a gente acompanha no nosso próprio ambulatório que funciona na vizinho ao banco de leite da antiga Maternidade Hildete Falcão.

Quando o recém-nascido microcéfalo nasce na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes ele é acompanhado durante dois anos por profissionais especializados.  “Fazemos o acompanhamento da criança durante dois anos, temos otorrinolaringologistas, neurologistas, pediatras, serviço social, fisioterapeutas, fonoaudiólogas e psicólogos”.

A microcefalia pode ser identificada durante o pré-natal. “No exame de ultrassonografia é possível identificar logo no início da gravidez, nas 12 primeiras semanas. O exame avalia o perímetro cefálico, que avalia o tamanho do crânio do recém-nascido. É através do exame que é possível confirmar ou suspeitar de uma microcefalia”.

Prevenção e formas de contágio

“Para evitar e diminuir o nascimento de microcéfalos é realmente a prevenção. A população precisa deixar de jogar lixo na rua, pneus, recipientes plásticos, não limpando a caixa d’água, deixando possíveis focos no interior das residências. A população precisa mudar de atitude, precisamos eliminar o vetor, que é o mosquito  Aedes Aegypti. Não existe nada ainda que comprove que o vírus possa ser transmito via outro fator externo, como por exemplo a relação sexual ou  leite materno. Hoje se espalha muitos boatos não  verdadeiros sobre essa transmissão”.

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