Surto do vírus zika em Sergipe já preocupa o Ministério da Saúde

A Síndrome de Guillain-Barré é mais uma doença rara que pode ser causada pela infecção do vírus zika. Além dos 1.761 casos suspeitos de microcefalia em investigação, o aumento de pacientes com a síndrome neste ano preocupa o Ministério da Saúde. De acordo com a pasta, a relação foi confirmada pela Universidade Federal de Pernambuco a partir da identificação do vírus em amostra de seis pacientes com sintomas neurológicos. Do total, quatro tinham a síndrome.

Por não ser de notificação compulsória, a pasta não dispõe de dados nacionais sobre a doença, nem comparativos. A única informação disponível é o número de procedimentos ambulatoriais e hospitalares no Sistema Único de Saúde (incluindo internações) relacionados à síndrome em 2014: 65.884. Entretanto, pelo menos seis estados já identificaram aumento. Em Pernambuco, foram registrados 127 casos neste ano – número seis vezes maior que o do ano passado, quando houve 9 episódios. No Piauí, a quantidade de enfermos subiu de 23 para 42. Sergipe teve 28 casos e nenhum em anos anteriores. No Rio Grande do Norte, subiu de 23 para 33. No Maranhão, são 32 casos; no ano passado, foram 10. Na Bahia, 64 registros só em 2015.

Diretor científico do departamento de Neuroepidemiologia da Academia Brasileira de Neurologia, Tarso Adoni explica que a doença é conhecida há muito tempo, mas, de fato, o recente aumento no número de casos tem chamado a atenção. “Há uma forte suspeita de que o vírus zika tenha relação. A doença acontece por causa de uma relação autoimune. O sistema de defesa começa a atacar o organismo. E é preciso que a pessoa tenha uma suscetibilidade genética para desenvolver a síndrome. É a junção dos fatores.”

Aproximadamente 65% dos pacientes apresentam alguma doença aguda antes de desenvolver a síndrome. Apesar de haver casos em que a paralisia se estende pelo corpo em horas, a doença usualmente progride por duas a quatro semanas. Adoni explica que, quanto mais precoce for o diagnóstico, maior a chance de estabilizar a doença. “Varia demais de pessoa a pessoa, mas, felizmente, a maioria dos pacientes evoluem bem até seis meses depois do diagnóstico”, comenta.

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